Hoje quero escrever para quem sente.
Para quem, por dentro, grita — mas ninguém escuta.
Para quem passa dias deitado, e nem se reconhece mais no espelho.Hoje, ouvi uma mulher chorar.
Não foi um choro qualquer. Foi o choro da alma. Da exaustão. Da dor acumulada que nunca teve tempo, espaço ou alguém para ser sentida.Ela é forte. Tem múltiplos dons, muitas profissões, uma capacidade imensa. Mas a força que sempre teve foi virando peso. E um dia, ela simplesmente não conseguiu mais levantar.
Me procurou, depois recuou. Não tinha forças. Nem para se cuidar. Nem para pagar. Nem para pedir.
Eu continuei ali.
Não cobrando. Não exigindo. Apenas perguntando, de vez em quando:
"Como você está hoje?"Porque às vezes o que salva não é um diagnóstico.
É uma pergunta que vem com amor.
É alguém que diz: "Eu tô aqui, mesmo se você não responder hoje."E ela chorou.
Chorou porque nunca teve esse cuidado.
Chorou porque sempre cuidou de todo mundo.
Chorou porque sentiu que, finalmente, poderia se deixar cair.
E no meio da dor...
começou a nascer o desejo de se levantar.🌸
Escrevo isso com respeito e sem nomes. Porque essa história é de muitas.
E pode ser a sua também.Se você está cansada de ser forte.
Se você sente que ninguém vê a sua dor.Saiba que eu vejo.
Que há uma escuta possível, mesmo no silêncio.
Que você não precisa estar pronta para ser acolhida.
Basta desejar. Um pouco. Mesmo sem forças.🌷
Palavras também podem ser cuidado.
E quando você quiser, eu estarei aqui.
Com carinho,
Érica Marques
Psicanalista & Assistente Social💬 "O mais bonito de tudo é a leveza que vem de dentro."
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