Onde o Pé não Dói: A Liberdade de Respirar Sossegada
Escrever é, para mim, abrir as janelas da alma. Há um ano, eu escrevia com o peso da busca, com a angústia de quem pedia licença para entrar nos espaços do Serviço Social . Eu ainda era a Érica que buscava o "sim" do mundo. Hoje, aos 53 anos, sento-me para escrever uma nova página, mas com uma diferença fundamental: eu parei de esperar que o mundo me desse um lugar. Eu construí o meu. Olho para o meu corpo hoje e ele me conta histórias. Meu joelho dói, e eu entendo o porquê: ele carregou o peso de décadas de pé em pé no salão, carregou o peso de uma mãe solo que não podia fraquejar, carregou o sustento da Ohanny e o luto da minha mãe, Sandra, que perdi tão cedo, aos 14 anos. Meu joelho reclama do esforço de ter sido o pilar de tanta gente. Mas, curiosamente, meu pé tem uma fratura que não dói. Talvez seja um símbolo: meu pé já se acostumou tanto a caminhar sobre pedras que ele aprendeu a seguir em frente mesmo quando está quebrado. Eu sou essa mulher que pula do carro em mov...





.png)


